Boston Dynamics dá ao robô Atlas uma mão de quatro dedos capaz de usar furadeira e outras ferramentas

RobóticaEquipe Eu Fiz Assim 12/10/2026 07:005 min de leitura
Boston Dynamics dá ao robô Atlas uma mão de quatro dedos capaz de usar furadeira e outras ferramentas

A Boston Dynamics apresentou uma nova mão para o robô humanoide Atlas, com quatro dedos, 13 articulações motorizadas e sensores de tato, pensada para manusear ferramentas e não apenas segurar objetos.

A Boston Dynamics, empresa de robótica controlada pelo grupo Hyundai, revelou em 1º de outubro de 2026 a nova geração de mãos do Atlas, seu robô humanoide elétrico. A peça tem quatro dedos, sendo um deles um polegar opositor, e soma 13 graus de liberdade, o termo que os engenheiros usam para contar os movimentos independentes que um mecanismo consegue fazer. A mão anterior do Atlas tinha sete. Segundo a empresa, a diferença resume uma mudança de objetivo: a versão antiga foi feita para agarrar muitos tipos de objeto, enquanto a nova foi projetada para manipulá-los, girando, ajustando e reposicionando o que está entre os dedos.

O que mudou na mão do Atlas

Dos 13 graus de liberdade, quatro ficam no polegar e três em cada um dos outros dedos. Todas as juntas são acionadas diretamente por um único tipo de atuador, o pequeno motor que move cada articulação, e esses atuadores ficam totalmente fechados, sem cabos atravessando as juntas. A escolha tem motivo prático: menos peças diferentes significa fabricação em escala mais simples e conserto mais barato quando algo quebra, dois pontos que a empresa coloca como requisitos do projeto. O tamanho é parecido com o de uma mão humana grande, e a Boston Dynamics afirma que a força foi mantida no nível da geração anterior, a ponto de o robô carregar um frigobar cheio com mais de 45 quilos.

A outra novidade está no tato. As pontas dos dedos e a palma receberam sensores de pressão distribuídos em alta densidade, capazes de perceber pequenas variações na força de contato. Essas leituras se somam às medições internas das próprias juntas, que informam posição, movimento e esforço. Com isso, a mão consegue regular o aperto conforme o formato e o material do objeto e reagir quando ele começa a escorregar.

Por que o robô não tem dedo mindinho

A decisão mais curiosa do projeto foi deixar o quinto dedo de fora. De acordo com a equipe, acrescentar um mindinho não seria tecnicamente difícil, mas exigiria três atuadores a mais, com o custo, o volume, o consumo de energia e o risco de falha que vêm junto. Para testar a ideia na prática, o diretor de produto e tecnologia da empresa, Zachary Jackowski, pediu que os engenheiros passassem um dia com o mindinho e o anelar presos por fita adesiva e anotassem o que deixavam de conseguir fazer. O relato da empresa é que, depois da experiência, o grupo concordou que o ganho de destreza não compensava a complexidade extra.

Alberto Rodriguez, que dirige a área de comportamento do Atlas, contou que o desenho final saiu de uma série de comparações feitas com experimentos, simulações e maquetes impressas em 3D, incluindo versões com mais de um polegar. Segundo ele, várias dessas perguntas não tinham resposta óbvia e foram resolvidas pesando complexidade, consumo, custo, durabilidade e manutenção.

O que a mão já consegue fazer

No vídeo divulgado pela empresa, o Atlas encaixa uma broca em uma furadeira, aperta o gatilho e fura uma tábua de madeira. Em outras cenas, o robô rosqueia uma porca pequena girando-a entre os dedos, roda uma baqueta fina e movimenta duas bolas de golfe ao mesmo tempo dentro da mesma mão. A Boston Dynamics diz ainda que o projeto foi guiado pelo uso de ferramentas com gatilho, como parafusadeiras, esmerilhadeiras, pistolas de pregos e tochas de solda.

O modo de ensinar esses movimentos também faz parte do anúncio. A empresa defende que luvas e outros dispositivos vestíveis, usados para gravar demonstrações humanas, não registram os sinais rápidos de controle e de força necessários para tarefas delicadas. Por isso, a mão foi desenhada para ser reproduzida com fidelidade em simulação, onde o robô treina por aprendizado por reforço, um método de tentativa e erro em que o sistema é recompensado quando acerta. Durante o treino, características como atrito, torque dos motores e formato dos objetos são variadas de propósito, para que o comportamento aprendido no computador funcione também no robô de verdade.

O que ainda não se sabe

É preciso ler o anúncio com cautela. A própria Boston Dynamics chama de iniciais os resultados obtidos ao transferir para o robô real o que foi aprendido em simulação, e não divulgou números de taxa de acerto, tempo de operação contínua ou desgaste. A capacidade de carga e a força equivalente à da mão anterior são afirmações da empresa, ainda sem medição independente. Também não há preço, volume de produção nem data para a mão chegar a uma linha de montagem, e um vídeo curto não mostra quantas vezes seguidas o robô repete cada tarefa sem errar.

O contexto ajuda a entender para onde isso aponta. Cerca de uma semana antes, a companhia havia inaugurado um centro de treinamento dentro da fábrica da Hyundai no estado americano da Geórgia, montado para reproduzir o ambiente de produção de automóveis, coletar dados do Atlas e validar o que ele aprende. O que vale acompanhar daqui para frente é se a mão de quatro dedos aparece trabalhando nesse ambiente por turnos inteiros, com resultados medidos, e se outras fabricantes de humanoides seguem o mesmo caminho de trocar um dedo por simplicidade.

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