XPeng começa a produzir em pequenos lotes a bateria de estado sólido do robô humanoide IRON
A montadora chinesa XPeng concluiu um primeiro lote de baterias de estado sólido feitas sob medida para o IRON, seu robô humanoide. Os números impressionam no papel, mas ainda vêm só da empresa e deixam dúvidas sobre o tipo exato de bateria.
A XPeng anunciou em 28 de outubro de 2026 que a bateria de estado sólido do robô humanoide IRON saiu da linha de produção em pequenos lotes. A informação foi dada por Gu Jie, que ocupa a vice-presidência da empresa, durante uma conferência de robótica realizada no congresso anual da SAE-China, entidade de engenharia automotiva do país. Segundo a imprensa especializada chinesa, é a primeira vez que a fabricante mostra publicamente uma bateria desse tipo criada especificamente para robôs. O robô em si, porém, ainda não chegou ao início oficial da produção em série, etapa que a indústria chama de SOP.
O que a empresa afirma sobre a bateria
De acordo com a XPeng, a nova bateria pesa cerca de 30% menos e oferece cerca de 30% mais capacidade do que uma bateria convencional de lítio com eletrólito líquido. A empresa também diz ter adotado um projeto que impede a propagação da fuga térmica, aquele aquecimento descontrolado que pode levar uma célula a incendiar as vizinhas, e afirma que o conjunto passou por testes de impacto e de perfuração com prego.
Esses dados precisam ser lidos com cuidado. A XPeng não divulgou valores absolutos de energia ou de peso, não informou as condições dos testes nem o tamanho do lote produzido, e as fontes consultadas não trazem verificação independente. Também não há, até aqui, uma estimativa de quanto tempo o robô consegue trabalhar com uma carga.
Por que a bateria pesa tanto em um humanoide
Em uma bateria de estado sólido, o eletrólito, material por onde os íons circulam entre os polos, é sólido em vez de líquido. A promessa da tecnologia é guardar mais energia no mesmo espaço e reduzir o risco de incêndio, duas características que importam muito em uma máquina como essa. Um humanoide tem pouco espaço interno, precisa carregar o próprio peso a cada passo e vai circular perto de pessoas. Cada quilo a menos na bateria é um quilo que os motores das pernas não precisam sustentar, e uma falha térmica dentro de uma loja cheia seria bem mais grave do que em um galpão isolado.
O IRON é uma máquina exigente nesse sentido. A XPeng informa que ele tem 76 graus de liberdade no corpo, 21 deles nas mãos conforme a descrição da TechNode, e três chips de inteligência artificial próprios, com até 2.250 TOPS de capacidade de processamento. A empresa diz que o modelo de IA roda dentro do próprio robô, sem depender de um operador humano à distância, e todo esse processamento também consome energia da bateria.
O que ainda não está claro
A principal dúvida é sobre o que significa exatamente "estado sólido" neste caso. Em 2025, a XPeng havia prometido que o IRON seria o primeiro humanoide do setor com bateria totalmente de estado sólido. Já o anúncio atual não detalha se a célula produzida é totalmente sólida ou híbrida, com parte do eletrólito ainda líquida. O site The Electric Viking lembra que um relatório do Jipian Lab, de setembro, apontou que a versão de produção do robô pode usar baterias híbridas, porque a tecnologia totalmente sólida não teria avançado no mesmo ritmo do cronograma. Essa hipótese não foi confirmada pela fabricante.
Há também dúvidas sobre o robô como produto. A TechNode observa que muitas etapas de montagem de humanoides ainda são manuais, que os métodos da indústria automotiva não se aplicam diretamente em todos os pontos e que a eficiência e o custo reais da produção em massa ainda precisam ser testados.
O caminho até as lojas
A bateria é a peça mais recente do calendário da XPeng para o robô. Em 8 de setembro, a empresa colocou em operação uma linha de produção dedicada, com mais de 80% dos processos centrais automatizados, de acordo com os próprios números, e mostrou o primeiro IRON saindo andando do fim da montagem. O negócio de robótica também recebeu reforço financeiro: a primeira rodada de investimento superou 900 milhões de dólares, com avaliação acima de 6,3 bilhões, liderada pela IDG Capital e com participação da Tencent e do Alibaba.
O plano apresentado pelo presidente da empresa, He Xiaopeng, prevê produção em massa até o fim de 2026, entregas no primeiro semestre de 2027 e ações de divulgação na Europa no segundo semestre daquele ano. Os primeiros robôs devem trabalhar em lojas e centros comerciais, orientando clientes e explicando produtos, enquanto o uso industrial e doméstico fica para depois, sem data. As fontes consultadas não mencionam preço nem planos para o Brasil.
Nos próximos meses, o que vale acompanhar é se a XPeng vai publicar dados técnicos completos da bateria, começando por densidade de energia e autonomia, e se vai esclarecer de vez a composição da célula. O prazo também será um bom termômetro: faltam apenas dois meses para o fim de 2026, e cumprir a meta de produção em massa seria um teste importante para saber se os humanoides estão mesmo perto de sair das demonstrações.
Fontes consultadas:
- Gasgoo: XPENG starts small-scale production of solid-state battery for humanoid robots
- The Electric Viking: Xpeng begins small-batch production of solid-state batteries for Iron humanoid robot
- TechNode: XPeng puts humanoid robot production line into operation
- TechNode: XPeng plans humanoid robot deliveries in 2027 and European rollout later that year

















