Gol libera check-in pelo ChatGPT a partir de 19 de outubro; veja como vai funcionar
A Gol anunciou uma integração com o ChatGPT que permite escolher o assento, confirmar a presença no voo e emitir o cartão de embarque dentro da conversa com o assistente. O recurso está em testes e será aberto a todos os clientes em 19 de outubro, sem custo.
A Gol Linhas Aéreas anunciou na quinta-feira, 8 de outubro, que o check-in dos seus voos poderá ser feito pelo ChatGPT, o assistente de inteligência artificial da OpenAI. Segundo a companhia, ela é a primeira empresa aérea da América Latina a levar essa etapa da viagem para dentro de um chatbot. Por enquanto, a novidade funciona em fase de testes restritos, com um grupo limitado de passageiros, e a liberação para toda a base de clientes está marcada para 19 de outubro de 2026. Não haverá cobrança adicional, e o recurso vale também para quem usa a versão gratuita do ChatGPT.
Como vai funcionar o check-in pelo ChatGPT
O caminho descrito pela empresa é curto e todo feito em linguagem natural, sem menus. O passageiro abre o ChatGPT, no aplicativo do celular ou no navegador, e digita @gol na conversa, o que chama a integração da companhia. Em seguida, basta pedir para ver as viagens, com uma frase simples como "mostre meus próximos voos". Nesse momento o assistente abre uma aba de login que pertence ao ambiente oficial da Gol, onde o cliente entra com a sua conta na companhia. Depois da autenticação, as reservas aparecem na conversa, e o passageiro escolhe o assento, confirma a presença no voo e pede a emissão do cartão de embarque.
O cartão é digital e traz o QR Code que deve ser apresentado no aeroporto. Ele pode ser baixado para o aparelho ou guardado na carteira digital do celular, do mesmo jeito que acontece hoje com o cartão emitido pelo aplicativo ou pelo site da Gol. Esses canais tradicionais continuam funcionando normalmente: a conversa com o ChatGPT é uma opção a mais, não uma substituição.
O que acontece com os seus dados
A principal dúvida de quem lê uma notícia assim é se a senha da conta e os dados da viagem vão parar nas mãos do chatbot. A Gol afirma que não. De acordo com a companhia, o login acontece em uma página própria e criptografada, fora do ChatGPT, e o assistente não tem acesso às credenciais nem a dados sensíveis do usuário. A empresa diz ainda que a integração segue os seus protocolos de segurança e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Vale um cuidado prático, que não depende da Gol. Como o processo envolve digitar login e senha em uma janela aberta a partir de uma conversa, o passageiro deve conferir se o endereço da página de autenticação é mesmo o da companhia antes de preencher qualquer coisa, e desconfiar de links recebidos por mensagem, e-mail ou redes sociais que prometam "check-in pelo ChatGPT". Novidades desse tipo costumam ser aproveitadas por golpistas nas primeiras semanas, e o caminho seguro é sempre começar pelo próprio aplicativo ou site do ChatGPT e chamar a integração por lá.
Por que isso importa
O anúncio mostra uma mudança que vem ganhando força em 2026: os assistentes de IA estão deixando de ser apenas um lugar para tirar dúvidas e passando a executar tarefas dentro de serviços de outras empresas. Em vez de abrir um aplicativo para cada coisa, a pessoa pede o que precisa em uma conversa, e o assistente aciona o serviço certo. No caso da Gol, o foco inicial está em uma etapa posterior à compra da passagem, que é repetitiva e costuma ser feita com pressa, a caminho do aeroporto.
Luiz Borrego, diretor de tecnologia (CIO) da Gol, apresentou a integração como uma continuação do histórico da empresa, que afirma ter sido a primeira no Brasil a oferecer check-in pela internet, em 2001. Segundo o executivo, a conversa com a IA é uma alternativa rápida e que poderá ser automatizada com agentes, ou seja, programas que cumprem tarefas sozinhos em nome do usuário. O Olhar Digital lembra que a norte-americana Southwest Airlines também anunciou uma integração com o ChatGPT, voltada inicialmente à descoberta de destinos e à consulta de voos.
O que ainda não se sabe
A companhia não informou quantos passageiros participam dos testes nem detalhou se haverá restrições por tipo de voo, como trechos internacionais, viagens com conexão ou reservas com mais de um passageiro. Também não há confirmação de quando será possível comprar passagens, remarcar voos ou despachar bagagem pela conversa. A Gol trata o check-in como a primeira etapa do seu projeto de IA generativa e diz que vai acompanhar o uso e a opinião dos clientes antes de acrescentar novos serviços nos próximos meses. A afirmação de pioneirismo na América Latina é da própria empresa e não foi verificada de forma independente pelas reportagens consultadas.
Para quem voa com a Gol, a data a observar é 19 de outubro, quando a função deve aparecer para todos. Até lá, o check-in segue pelos canais de sempre. Depois da liberação, o que vai dizer se a ideia pega é a experiência real no dia do embarque: se a conversa de fato for mais rápida do que abrir o aplicativo, a tendência é que outras companhias aéreas e outros serviços do dia a dia sigam o mesmo caminho.
Fontes consultadas:














