Robô do MIT movido a músculo vivo nada guiado por luz e atravessa labirinto na água

RobóticaEquipe Eu Fiz Assim 26/10/2026 05:195 min de leitura
Robô do MIT movido a músculo vivo nada guiado por luz e atravessa labirinto na água

Engenheiros do MIT criaram um robô do tamanho de um chiclete, com nadadeiras feitas de músculo vivo, que nada e atravessa um pequeno labirinto seguindo um feixe de luz. O protótipo é lento, mas mostra que músculos cultivados em laboratório já conseguem gerar força suficiente para mover uma máquina na água.

Um grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, apresentou um robô biohíbrido ultrafino que se desloca na água usando apenas células musculares vivas como motor. O trabalho, liderado pela professora de engenharia mecânica Ritu Raman e assinado também por Maheera Bawa (primeira autora), Arielle Berman, Laura Schwendeman, Ferdows Afghah e Seanbiron Johnson, foi publicado na revista científica Advanced Functional Materials e divulgado pelo MIT no fim de setembro. Nas últimas semanas, o estudo voltou a circular em sites de ciência e tecnologia de vários países, mas ainda teve pouca repercussão no Brasil.

Como é o robô

O corpo do robô é uma película de gel com cerca de meio milímetro de espessura, mais ou menos do comprimento e da largura de um chiclete em tablete. As duas metades dessa película funcionam como nadadeiras, e cada uma delas é recoberta por uma única camada de células musculares esqueléticas, mais fina que um fio de cabelo. Segundo a reportagem do New Atlas, cada nadadeira mede 15 milímetros de comprimento por 7 de largura.

O detalhe que faz tudo funcionar está nas células: elas foram modificadas geneticamente para se contrair quando recebem luz. Não há bateria, chip nem fio a bordo. Quando um feixe ilumina uma das nadadeiras, o músculo daquele lado se contrai, a nadadeira bate e empurra o robô para a frente. Alternar a luz entre os dois lados, em intervalos diferentes, permite controlar a direção e a velocidade, como se o pesquisador guiasse o robô com uma lanterna.

Para provar que o controle funciona, a equipe montou um labirinto dentro de uma placa de Petri grande cheia de água. Movendo manualmente a fonte de luz sobre o robô, os pesquisadores fizeram com que ele nadasse e fizesse as curvas do percurso batendo as nadadeiras.

O que mudou em relação às tentativas anteriores

O desafio de quem constrói robôs com músculo vivo sempre foi a força. Em 2025, o mesmo laboratório havia criado um disco inspirado na íris do olho, com tecido muscular cultivado, mas as células se moviam apenas cerca de 100 micrômetros, pouco demais para empurrar qualquer coisa. Raman resumiu o problema em uma frase: "é preciso muita força para se mover na água em comparação com o ar".

Dessa vez, o grupo concentrou o trabalho no esqueleto de gel. O material usado antes, à base de fibrina, era macio demais e enrugava quando os músculos puxavam. A equipe passou a usar um gel de gelatina mais rígido, chamado GelMA, e gravou na superfície pequenos sulcos de fundo quadrado. Esses canais fazem as células se alinharem lado a lado e se fundirem em fibras mais fortes, que puxam todas na mesma direção. Os testes mostraram que sulcos quadrados alinham melhor as células que os arredondados e que géis mais firmes produzem mais força.

Os músculos também passaram por uma espécie de academia. Os pesquisadores aplicaram uma rotina de pulsos de luz para exercitar as células e, segundo o New Atlas, 15 minutos diários de estímulo, a dois pulsos por segundo, quadruplicaram o deslocamento das nadadeiras em comparação com músculos não treinados. O tecido continuou funcionando por mais de 30 dias.

Ainda é lento, e os próprios autores admitem

No melhor desempenho, o robô percorre cerca de quatro vezes o comprimento do próprio corpo por minuto. O MIT faz a comparação com um nadador olímpico, que chega a 65 comprimentos por minuto, e com o tubarão-vaca, conhecido pelo ritmo vagaroso. O New Atlas lembra ainda que outro projeto apresentado em 2026, o OstraBot, chegou a 15,6 comprimentos por minuto, quase quatro vezes mais rápido.

Há outras limitações evidentes. O robô depende de uma pessoa do lado de fora segurando a luz, usa uma única linhagem de células, fibras alinhadas em só uma direção e formatos simples. Os autores deixam claro que o desenho atual é básico e foi feito principalmente para demonstrar que o músculo gera força suficiente para nadar. O próximo passo, segundo Raman, é otimizar o corpo para que ele se mova mais depressa.

Para que serve um robô de músculo

A ideia de usar tecido vivo como motor tem atrativos que a robótica tradicional não oferece. Músculos são macios, eficientes, podem crescer, se adaptar com treino e, em tese, se regenerar. Robôs biohíbridos maiores, em três dimensões, costumam exigir milhões de células; uma película fina como a do MIT usa bem menos material e é mais simples de fabricar.

Entre as aplicações citadas pelos pesquisadores estão o monitoramento de ambientes aquáticos e trabalhos delicados em lugares frágeis ou imprevisíveis demais para máquinas de metal e motor elétrico. A pesquisa teve financiamento parcial do Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos. Por enquanto, porém, tudo acontece dentro de uma placa de laboratório.

Vale acompanhar os próximos trabalhos do laboratório de Ritu Raman, que deve testar corpos com formatos diferentes e fibras em mais de uma direção, e a corrida entre grupos que tentam tornar esses nadadores vivos mais rápidos e independentes de controle externo. Se a força e a autonomia avançarem, robôs feitos em parte de músculo podem sair da placa de Petri para tarefas reais de monitoramento ambiental, ainda que esse dia não tenha data marcada.

Fontes consultadas:

← Ver últimas notícias
Fim da escala 6x1: Congresso aprova a PEC e a jornada passa a ter cinco dias de trabalho e 40 horas Tecnologia Destaque

Fim da escala 6x1: Congresso aprova a PEC e a jornada passa a ter cinco dias de trabalho e 40 horas

O Congresso concluiu a aprovação da PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima semanal e estabelece dois dias de descanso remunerado. A mudança ainda depende de promulgação e publicação para começar a valer, além de regulamentações e negociaç...

Equipe Eu Fiz Assim 5 min de leitura Há 1 semana

Mais recentes

Conteúdo elaborado com apoio de IA e revisado por um editor humano antes da publicação · Atualizado em 15/10/2026

Últimos artigos

Publicidade
Revisãohumana em todo artigo
100%sem pop-up intersticial
Atualizadotoda semana
6categorias cobertas

Mais lidos

Game

Inteligência Artificial

Robótica

Software

Tecnologia