Google é multado em 403 milhões de euros na Irlanda por uso de dados de localização

TecnologiaEquipe Eu Fiz Assim 26/09/2026 07:064 min de leitura
Google é multado em 403 milhões de euros na Irlanda por uso de dados de localização

A autoridade de proteção de dados da Irlanda concluiu que o Google tratou dados de localização de usuários europeus sem a transparência e a base legal exigidas pelo GDPR. A empresa tem seis meses para se adequar.

A Data Protection Commission (DPC), órgão que fiscaliza a proteção de dados na Irlanda, anunciou em 21 de setembro de 2026 uma multa total de 403 milhões de euros contra o Google Ireland Limited. A decisão encerra uma investigação aberta em fevereiro de 2020, depois de reclamações de organizações europeias de defesa do consumidor, entre elas a BEUC, e também determina que o Google corrija a forma como processa esses dados em até seis meses.

A Irlanda cuida do caso porque é lá que fica a sede europeia do Google. Pelas regras do GDPR, o regulamento de proteção de dados da União Europeia, é a autoridade do país da sede principal que conduz investigações desse tipo contra a empresa em nome do bloco.

O que foi investigado

A apuração não tratou do Google como um todo, e sim de três recursos específicos ligados à localização, no período de 25 de maio de 2018 (quando o GDPR entrou em vigor) a 4 de fevereiro de 2020:

  • Atividade na Web e de apps: configuração da conta Google que registra o que a pessoa faz nos serviços da empresa e pode incluir informações de localização associadas a essas atividades.
  • Histórico de localização: recurso opcional que registrava por onde o aparelho passava e alimentava a Linha do tempo do Google Maps.
  • Precisão da localização: função do Android que usa sinais como Wi-Fi e redes móveis para melhorar a localização do celular.

O que a autoridade concluiu

Segundo o comunicado da DPC, o Google descumpriu o GDPR em vários pontos. No caso da Atividade na Web e de apps e do Histórico de localização, o tratamento dos dados não atendeu aos princípios de licitude e lealdade, e os dados ficaram guardados por mais tempo do que o necessário. Nos três recursos, faltou transparência nas informações passadas aos usuários. Em relação à Precisão da localização, a empresa não conseguiu demonstrar que cumpria as regras, o que fere a chamada obrigação de prestação de contas.

O vice-comissário Graham Doyle resumiu a preocupação: dados de localização revelam muito sobre a vida de uma pessoa, e os usuários podiam nem saber que essa informação estava sendo usada, por exemplo, para direcionar anúncios. A DPC não detalhou publicamente quanto da multa corresponde a cada infração.

O que diz o Google

De acordo com o site BleepingComputer, um porta-voz do Google afirmou que a decisão trata de políticas antigas, que já foram atualizadas. A empresa lembrou que criou ferramentas para facilitar o controle da localização e que hoje os dados da Linha do tempo do Maps ficam armazenados no próprio aparelho, com exclusão automática após três meses por padrão. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia informação sobre um eventual recurso contra a decisão.

O que isso significa para você

A multa vale para o tratamento de dados de usuários na Europa, mas os recursos investigados são os mesmos usados por quem tem conta Google no Brasil. É uma boa oportunidade para revisar o que está ativado na sua conta:

  • Acesse a página Minha Atividade do Google (activity.google.com) e confira se a Atividade na Web e de apps está ligada e qual é o prazo de exclusão automática.
  • No Google Maps do celular, verifique se a Linha do tempo está ativada. Ela vem desativada por padrão e pode ser desligada ou apagada a qualquer momento.
  • Se a Linha do tempo estiver ativa com backup, saiba que uma cópia criptografada fica nos servidores do Google para permitir a transferência para outro aparelho.
  • No Android, revise nas configurações de localização quais apps têm permissão para acessar sua posição e desative o que não usa.

No Brasil, o tratamento de dados pessoais é regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), fiscalizada pela ANPD. A decisão irlandesa não tem efeito direto aqui, mas mostra como autoridades de proteção de dados vêm cobrando clareza das empresas sobre o uso da localização.

O que observar a seguir

O ponto principal agora é o prazo de seis meses para o Google ajustar o tratamento desses dados na Europa. Vale acompanhar se a empresa vai recorrer da decisão e se as mudanças exigidas vão se refletir em novas telas de consentimento ou configurações de privacidade também para usuários de outros países.

Fontes consultadas:

← Ver últimas notícias
Antivírus e controle parental: o que realmente protege as crianças na internet Family link Destaque

Antivírus e controle parental: o que realmente protege as crianças na internet

Um antivírus cuida do aparelho; o controle parental cuida do que a criança vê e faz online. O ideal é combinar os dois, sem abrir mão da conversa em família. Crianças usam celular, tablet e computador para estudar, jogar e assistir a vídeos...

Equipe Eu Fiz Assim 3 min de leitura 23/04/2026

Mais recentes

Conteúdo elaborado com apoio de IA e revisado por um editor humano antes da publicação · Atualizado em 23/04/2026

Últimos artigos

Publicidade
Revisãohumana em todo artigo
100%sem pop-up intersticial
Atualizadotoda semana
6categorias cobertas

Mais lidos

Game

Inteligência Artificial

Robótica

Software

Tecnologia